Forais medievais portugueses

Uma perspetiva histórica e linguística na era digital, PTDC/HAR-HIS/5065/2020 (2021-2024)

Sobre o projeto

Instituição de acolhimento

Instituições Participantes

Parceiros Principais

Sobre o projeto

Ao longo dos séculos XII e XIII, a construção do reino de Portugal centrada na definição de fronteiras territoriais, na delimitação de poderes e na estabilização sócio-económica dos seus habitantes, conheceu a contratualização escrita de relações jurídicas de longa vigência. Reis e senhores laicos ou eclesiásticos puserem por escrito a sua relação com as comunidades e definiram normas de convivência entre habitantes, como os seus direitos e deveres: esses escritos chamavam-se forais.

O projecto iForal visa o estudo histórico-linguístico das cartas de foral outorgadas pelo poder régio até 1279, bem como os seus testemunhos latinos e vernaculares produzidos até ao final do século XV.

A investigação proposta assenta numa ideia-chave, a interdisciplinaridade. A História e a Linguística fornecerão à investigação as suas ferramentas conceptuais e metodológicas e as Humanidades Digitais as necessárias ferramentas instrumentais para potencializar resultados e tornar eficaz a sua pesquisa e divulgação.

23 investigadores das áreas da História, da Linguística e das Humanidades Digitais

6 universidades portuguesas e 1 universidade estrangeira

6 consultores internacionais

4 bolsas de investigação de pós-graduação

foral

Por que razão estudar forais medievais portugueses hoje?

Em primeiro lugar, existem razões de natureza eminentemente científica: o estudo dos forais antigos tem sido negligenciado em favor dos novos forais do século XVI (Reforma Manuelina), formal e materialmente mais atrativos para os historiadores; os estudos existentes ou se encontram demasiado dispersos por editoras com fraca capacidade de divulgação ou carecem de validação científica. Em qualquer dos casos, não existe uma perspetiva de conjunto que olhe para a totalidade dos forais régios.

Em segundo lugar, existem razões de natureza societal: em pleno século XXI, as comunidades locais e os poderes públicos (câmaras, arquivos, museus e escolas) continuam a comemorar a data de outorga do seu foral mais antigo, atualizando a memória e a identidade coletivas. O interesse pelo foral da terra justifica-se facilmente: nele, as comunidades conhecem as mais antigas formas de organização coletiva dos seus antepassados e a sua relação com os poderes instituídos, sobretudo com o rei, em questões de natureza política e fiscal, de justiça e de atividades económicas. Mais, estes documentos permitem ainda uma aproximação aos recursos naturais disponíveis na comunidade e à sua exploração, e à paisagem e à topografia, ainda reconhecíveis hoje pelas comunidades. Com este projeto, promove-se a salvaguarda de um dos mais antigos exemplos de património escrito dos poderes locais e também do Reino português.

Objetivos

Edição crítica eletrónica dos forais régios portugueses até 1279, e seus testemunhos latinos e vernaculares até ao final do século XV

Análise histórica e linguística dos forais régios em torno de seis tópicos fundamentais: i) Produção e agentes de escrita ii) Poderes em presença iii) Norma e quotidiano iiii) Transmissão do texto vi) Do latim ao português vi) Desafio digital

Glossário de léxico latino e português

Aplicações de transcrição automatizada para o português medieval

Promoção da leitura e divulgação de textos patrimoniaias significativos para a memória coletiva

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